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BANDEIRA DA JAMAICA



JAMAICA
história – geografia
cultura & sociedade

por Ligia Cabús

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Jamaica é uma ilha montanhosa do mar das Caraíbas, o Caribe, situada ao sul de Cuba, leste da América Central. Em 1997 apresentava os seguintes dados geopolíticos:

Estatuto: Estado da Comunidade Britânica
População: 2 milhões e 696 mil habitantes (Wikipedia.org - 2003)
Crescimento demográfico anual: 1,3%
Capital: Kingston
Língua: inglês e dialeto do inglês
Religiões: maioria anglicana e minoria rastafari
Moeda: dólar jamaicano (JMD)

As terras da Jamaica possuem densas florestas e uma vasta rede hidrográfica. O nome da ilha está ligado a essa abundância de águas. Seus primitivos habitantes, indígenas Arawak (Aruaques), originários da América do Sul que ali se estabeleceram por volta do ano 1000 d.C., chamavam-na de Xaymaca ou “terra dos mananciais”. A civilização ocidental encontrou a Jamaica em 1494, durante a segunda expedição de Cristóvão Colombo, a serviço da Coroa de Castela; por isso, os espanhóis detiveram o domínio do território até 1655, quando os ingleses, em guerra contra a Espanha, tomaram posse da ilha, no contexto da disputa, entre as potências européias, pelas terras do Novo Mundo (as Américas). Os ingleses utilizaram a Jamaica, primeiro como quartel general dos corsários (piratas) aliados que atacavam navios das nações inimigas; depois, como colônia agrícola produtora de cana-de-açúcar. Os corsários eram tão íntimos da Jamaica que o Rei Charles II, da Inglaterra, chegou a nomear o bucaneiro Henry Morgan como governador.

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Desde o início, a colonização determinou o surgimento de uma sociedade com características peculiares. Aos habitantes originais misturaram-se escravos africanos, os latinos espanhóis e, a posteriori, os ingleses (anglo-saxões). Entretanto, o processo da escravatura sofreu um hiato entre a retirada das forças de Espanha e a ascensão do poder inglês. Em sua fuga, os castelhanos libertaram todos os escravos. Estes escravos refugiaram-se em uma região inóspita do planalto central formando uma comunidade autônoma e rebelde em relação aos novos colonos bretões e foram denominados “marrons” ou “selvagens”, do espanhol cimarrones. Em dois séculos de monocultura colonial a sociedade jamaicana estruturou-se em dois grupos: os muito ricos e os muito pobres. Grandes fazendeiros ingleses dominavam a política e a economia; enquanto isso, os escravos que trabalhavam nas lavouras, nada possuíam, não tinham qualquer direito civil. Porém, os marrons resistiam. A comunidade sobrevivia refugiada nas altas montanhas. A persistência dos cimarrones foi recompensada em 1793, quando o governo britânico reconheceu a emancipação definitiva dos descendentes dos escravos espanhóis; aqueles que eram escravos em fazendas, somente foram libertados em 1833. Estes, espalharam-se pelos campos e se transformaram em uma classe rural que, hoje, representa a maior parte da população jamaicana com uma intensa participação política e econômica. Em 1962, a Jamaica tornou-se nação autônoma integrante da Comunidade Britânica. Em termos de economia, a Jamaica se destaca pelas seguintes riquezas:

Produtos agrícolas: cana-de-açúcar, milho, mandioca, café, cacau, frutas cítricas, banana e tabaco.
Minerais: um dos principais produtores mundiais de bauxita.
Indústria: alimentos, têxteis, cimento, máquinas agrícolas e o famoso rum jamaicano.
Turismo: a Jamaica atrai milhões de turistas por suas paisagens exuberantes em flora e fauna, praias ensolaradas e uma infraestrutura que oferece bons hotéis, balneários litorâneos e eficiente sistema de transportes e comunicações.

 

 

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REGGAE

O reggae é uma expressão musical original da cultura jamaicana. Tal como aconteceu nas inúmeras colônias ultramarinas européias, o encontro de povos diferentes resultou em intenso processo de miscigenação, não apenas étnica mas também comportamental, lingüística, religiosa e artística. No que se refere à música, todos os países receptores das hordas de africanos escravizados sofreram fortes influências com a introdução de uma estética musical diferente do que se conhecia na Europa, incorporando diferentes timbres de voz, instrumentos, ritmos e linhas melódicas. Nas Américas, onde eram consumidas as valsas, polcas, sonatas e minuetos europeus, desde o início do século XVII, as noites das vilas e engenhos, dos senhores latifundiários que importavam pianos alemães, passaram a escutar os sons de tambores e cantos vigorosos. Nos terreiros das colônias, música e religião se associavam naturalmente, repetindo as tradições das nações africanas.

Na Jamaica, os cimarrones das montanhas e os escravos das fazendas eram provenientes de regiões da África especialmente sofisticadas culturalmente. Eram povos do Daomé (Benin), Zanzibar, Sudão e Somália (dois países vizinhos da Etiópia) que falavam diferentes línguas como o ioruba, o dogon, o kwa, o aramaico etíope, o árabe e o egípcio. O encontro jamaicano entre ingleses e africanos gerou seus hibridismos ao longo do tempo. Na segunda metade do século XX (anos de 1900) a música da ilha começou uma trajetória de expressividade nacional com um ritmo popular que, em poucos anos, conquistou um público específico em diferentes partes do globo. Nos Music Halls, salões de dança, a percussão negra tradicional, de raiz Nyanbinghi, encontrou nas guitarras americanas do blues e do rock o ingrediente globalizante que faz da linguagem reggae-music um código de valor melódico universal, aclamado do Canadá ao Japão.

Esta ampla receptividade do reggae explica-se por dois fatores: 1º) o ritmo ou batida, essencialmente hipnóticos, ou seja, cuja repetição harmônica induz a abstração (esquecimento, esvaziamento) do turbilhão de pensamentos objetivos que, em geral, ocupam a mente; 2º) a inspiração religiosa, política e ideológica que se traduz em versos que falam de paz, energias positivas, fé em Deus, amor universal, igualdade entre os homens além de conteúdos que se referem a um resgate da identidade dos povos africanos hoje radicados nas Américas. É verdade que nem todos os artistas do reggae trabalham com temas místicos, religiosos ou com temas sociopolíticos, mas o fato é que estes assuntos são indissociáveis do reggae que se relaciona, especificamente, com o pensamento rastafari, no que concerne ao aspecto de doutrina religiosa cristã, em seus princípios e messiânica em suas expectativas.

Hoje, o reggae é um ícone representativo da Jamaica tão importante quanto o rum, as bananas e as praias que ilustram os folders (folhetos) turísticos; isto porque é uma “química” artística completamente original daquela montanhosa e verdejante ilha caribenha. É a herança dos cimarrones renovada pela ousadia dos jovens rastas dos séculos XX e XXI. Em tempos tão conturbados, em meio ao cotidiano frenético e estressante das sociedades contemporâneas, é natural que o reggae-raiz, seja resistente e se mantenha vivo, atraindo novos simpatizantes a cada geração. São pessoas que buscam na música rastafari um espaço metafísico capaz de proporcionar um estado geral de paz de espírito.

 

 

Bibliografia

ATLAS GEOGRÁFICO MUNDIAL. São Paulo: Folha da Manhã, 1997.
CONHECER enciclopédia, vol. V - São Paulo: Victor Civita, 1970.
TEIXEIRA, Francisco M.P.. História da América. São Paulo: Ática, 1988.
WIKPEDIA enciclopedia online - http://pt.wikipedia.org/wiki/Jamaica
(acessado em setembro de 2004)





masterdesigner: jack
outubro, 2004